A árvore da espera
Era uma vez um garotinho muito
bagunceiro. Gostava de espalhar seus brinquedos por todos os lados e jamais os
recolhia após as tardes de brincadeiras no quintal ou no seu quarto. Ele e o
seu pai possuíam uma forte amizade e onde quer que o pai fosse o rapazinho ia
também. Acampavam juntos, iam fazer compras, lavar o carro, qualquer coisa. Um dia
seu pai informou que faria uma longa viagem e que ficaria ausente por muitos
dias. Não compreendendo muito bem o que aquilo significava, o menino começou a
chorar. Imaginou-se sozinho, abandonado e perguntava constantemente quando o
pai retornaria, ao que ele respondeu, retornaria no final do outono.
As estações do ano ainda eram um
enigma para o menino, que não entendia direito o significado daquilo. Para resolver
o problema, o pai o pegou no colo e com muito custo conseguiu abrir a porta dos
fundos, que estava emperrada com um brinquedo do filho. Subindo num banquinho,
fez o menino olhar para a árvore que havia no terreno. Era uma árvore frondosa
e muito bonita, dessas que necessitam de umas duas pessoas para abraçar seu
tronco. Gentilmente, enquanto limpava o rostinho molhado de lágrimas do seu
filho, o homem disse que voltaria quando as últimas folhas daquela árvore
tivessem caído, esse seria um sinal, um acordo entre eles, porém o garoto tinha
de prometer ser obediente para com a mamãe e organizado com seus brinquedos,
pois se o filho fosse bonzinho e organizado durante esse período, o pai lhe
traria um belíssimo presente, caso contrário, o menino ficaria de castigo e o
pai, muito chateado.
Os dias se passavam e todos os
dias o menino subia no banquinho para vigiar a árvore. Uma vez se alegrou
quando o vento derrubou uma folha. Desejava que o vento derrubasse todas as
folhas logo, queria rever seu pai, queria ganhar o presente. O presente! Sim,
começou a organizar os seus brinquedos, recolhê-los em caixas por ordem de
tamanho. Dia após dia o menino olhava para a árvore e às vezes perdia a
paciência, querendo abandonar a vigília, deixar tudo de lado, desistir, porém,
o porta-retratos da sala, que aparecia ao lado do seu amado pai, as lembranças
das aventuras que passaram juntos, o
próprio som da voz do seu pai ao contar as belíssimas estórias antes de dormir,
o faziam voltar a espreitar a árvore e desejar a volta do pai.
Ao chegar da escola, certo dia, surpreendeu-se
em saber que a árvora havia perdido algumas folhas e que esse processo
continuou durante alguns dias. Quando estava distraído brincando com um carrinho no
tapete do quarto, ouviu o som da porta se abrindo e de repente seu coração foi
contagiado por uma emoção muito profunda ao ouvir o som da doce voz do seu pai.
Descendo as escadas correndo, o garoto pulo nos braços do pai e chorando o
recebeu e lhe confidenciou quanta saudade havia em seu coração. Contou a ele
das vigílias ao terreno dos fundos, das orações que fazia e da sua mudança ao
ter decidido tornar-se organizado e limpo com os seus brinquedos. Orgulhoso, o
pai entregou a ele o maravilhoso presente que havia comprado: um belo castelo
reluzente e colorido.







