quinta-feira, 2 de junho de 2011

Nataxa vê o mundo

- Ei, mocinha! Saia de cima da Tv!!!

Todos os dias a mamãe chamava a atenção de Nataxa, pois ela adorava assistir TV bem de pertinho. De longe não tinha graça...ela não podia ver bem o rosto dos atores dos filmes, não podia ver os detalhes, nada!

Quando saia à noite, Nataxa achava o máximo todas aquelas luzes que ficavam com um arco-íris ao redor, e aqueles tremendos borrões amarelados ou muito brancos. Nataxa vivia num mundo só seu. Quando olhava para alguém por muito tempo, ela tocava o dedo no olho e via duas pessoas ao mesmo tempo.

Na escola, Nataxa não prestava muita atenção nas explicações, sentava-se no fundo e sempre era a última a terminar a lição. Nem tinha muitos amigos, mas vivia se divertindo e rindo sozinha. Quando algo parecia interessante, ela colocava a mão no olho direito e conseguia prestar toda a atenção. Nataxa era diferente.

Certo dia, foram até a escola, uns jovens altos, todos de avental branco e Nataxa só percebia os vultos claros passando pelos corredores do colégio. Teve medo. Eles sempre passavam sozinhos e voltavam trazendo uma criança pela mão. Até que um daqueles vultos encostou na porta de sua sala e ela foi chamada, junto com muitos outros meninos e meninas. Chegaram a uma sala. Ela foi a primeira. Uma moça muito simpática, elogiou seu cabelo, fez umas perguntas que ninguém tinha feito e depois lhe fez uma brincadeira de descobrir as letras numa parede branca. Ela não consegui adivinhar as letras e quase perdeu o jogo, mas a moça pediu-lhe para tampar um olho e depois o outro e ela ganhou o jogo! Seu prêmio foi surpreendente! Recebeu depois de umas visitas a outro homem de branco, um belo par de óculos vermelhos!

A primeira vez que Nataxa colocou seus óculos, o mundo brilhava e tudo era lindo! Põde ver bem o rosto de sua mãe a sorrir, viu os passarinhos nos fios dos postes,"nem sabia que passarinho pousava em fio!" , viu os carros coloridos atravessando a avenida, viu que no semáforo de pedestres existia um homenzinho verde e não um borrão verde. Nataxa viu o mundo e ficou encantada com seu brilho, suas cores!

Ao voltar para a escola, Nataxa copiava direitinho a lição do quadro, escrevia certinho dentro das linhas do seu caderno e começou a tirar boas notas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Muito mais do que esperava

                Certo dia enquanto eu jantava, assistia aos comerciais de TV com muito interesse. Foi quando de repente passou uma propaganda maravilhosa de um picolé delicioso. Estava muito calor e o sorvete parecia ser muito apetitoso e saboroso. Era embalado com um plástico branco de letras azuis, em que mãos de adulto rasgavam o rótulo e descobriam o produto de um branco impecável e uma boca muito bem desenhada dava uma bela mordida no gelato. Ao ir para cama naquela noite, senti-me perturbada e como se não bastasse a visão da propaganda, ainda sonhei com o picolé e acordei morrendo de vontade de dar uma mordidinha pelo menos.
               Na manhã seguinte, contei para minha avó, o meu maior deseja, mas ela pareceu nem me ouvir e me conduziu para a escola. Ela me disse que naquele dia eu deveria ir para a casa da minha mãe para esperá-la, pois chegaria tarde. Na escola não foi fácil esquecer a visão do picolé de leite moça, branco e delicioso, mas depois do recreio já havia esquecido. Na hora da saída percebi que não possuia nem uma moeda e com o baita sol esquentando a minha cabeça, só pensava em pedir para minha mãe.
              No meio do caminho encontrei minha avó saindo da rua da casa da minha mãe e me despedindo com pressa, já que precisava resolver uns assuntos seus.
              Quando cheguei no portão, uma vizinha me disse que minha avó me deixou uma encomenda no congelador e qual não foi a minha surpresa quando vi o compartimento contendo três picolés de leite moça, que me esperavam. Com esse fato tendo passado, mas analisando-o depois de tantos anos, só pude perceber o óbvio: o quanto a minha avó me amava, para desviar o seu caminho para me fazer um agrado e no quanto ela superou minhas expectativa, me favorendo com mais do que o que eu merecia.                  
              Lembro-me daquele verso mais que especial que diz "As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. I Coríntios 2:9. ” E penso no que Deus poderá fazer por mim e por você se tão somente deixarmos que Ele nos guie por esse mundo.

O misterioso caso dos tomates


                  A historinha que vou contar é de dois irmãos muito sapecas, o mais novo se chamava Alex e a mais velha se chamava Paula. Esses dois irmãos sempre aprontavam. Brincavam e brigavam o tempo todo, mas nunca conseguiam ficar um minuto sem se falar.
                 Um dia, quando estavam cansados e não tinham nada com que se divertirem, descobriram um buraco no muro do seu quintal. O buraco dava para o quintal do vizinho e os dois disputavam para ver atraves do buraco. Ao colocarem a mão e o braço no espaço, descobriram que havia ali, um pé de tomates, ainda em formação, mas carregado de tomates pequenos e vermelhos. A garota teve uma ideia: enquanto o irmãozinho vigiava, ela que era mais alta, tentaria alcançar os deliciosos frutos. Com as pontas dos dedos, ela conseguiu pegar o primeiro tomate e correu para a cozinha, seguida do irmão. Lavaram bem lavado e encheram-no de açúcar, dividindo-o para ambos.
                  Ao anoitecer, nada contaram aos seus pais e no dia seguinte o fizeram de novo. E de novo e de novo, por muitas vezes.
                 Certo dia, ao colocar o braço no buraco, a menina sentiu uma mão muito forte a segurá-la com força e ela gritou. O irmão, assustado, correu e se escondeu.
                Enquanto o vizinho a segurava pelo braço, a sua esposa foi até o portão e lhe olhou nos olhos, exatamente no instante em que o homem a soltou. Aliviada, a menina sumiu para dentro da casa, assustada, pois sabia qua seus pais ficariam sabendo daquela peraltice e com certeza ficariam de castigo.
                No dia seguinte, enquanto eles estavam sainda para ir ao colégio, viram a vizinha do lado de fora do seu portão. Assim quem os viu, a senhora ergueu a mão para dar-lhes algo. Com medo, os dois irmãos recolheram o que ela oferecia e saíram apressados, abrindo o pacotinho apenas na esquina. Não puderam se conter. Havia no pacote, alguns tomatinhos vermelhinhos e deliciosos, bem como um bilhetinho que dizia: "Vocês não precisam roubar do nosso jardim! Temos uma grande plantação de tomates no nosso jardim e ficaríamos felizes em dividir com vocês!" Os dois ficaram envergonhados e resolveram pedir perdão, ao que sua ação lhes deu o direito magnífico de comer quantos tomatinhos quisessem, já que o portão deles sempre foi aberto.
                 Somente depois de terem vivido essa experiência é que os dois irmãozinhos compreenderam o significado de "roubar a Deus", que deixa abertas as portas de bênçãos dos céus em troca de nossas orações, nosso bom comportamento e nossos bens e nós O desrespeitamos roubando dEle os dez por cento que nos pede!

Roupas desenhadas



Olá! Meu nome é Jonas e tenho trinta e três anos. Sei que este é o momento de contar histórias de crianças arteiras, de fantasias e aventuras especiais, mas o que me ocorreu hoje à tarde com a minha filha de 5 anos me fez voltar a ser criança e me lembrou de como foi que eu descobri qual é a forma do amor:
Tudo começou quando fui buscar minha filha Jacqueline, na escola. Ela ainda estava se acomodando no banco de trás do carro e enquanto passava o cinto de segurança me disse assim:
            - Pai, você pode me comprar uma camiseta de coração igual a da Ana Caroline, da minha sala?
 - E o que há de errado com as suas camisetas, Jack?
 - Bem, todos os dias ela vem com uma camiseta de desenhos tão bonitos...
 - Vamos ver com a mamãe depois, ok?
 - Ok....
Naquele instante aquela conversa me transportou em pensamento para os meus 5 anos, quando eu estava no Jardim de Infância. Lá eu possuía muitos amigos com quem aprontava todas as peripécias que uma criança de 5 anos pode cometer. Foi lá também onde conheci o garoto mais rico do colégio, seu nome era Carlos Henrique e ele se tornou o meu maior amigo. Todos os dias, o Carlinhos chegava com uma camiseta nova. E eram as camisetas do uniforme escolar, mas as dele tinham desenhos muito bonitos e coloridos, feitos em tecido xadrez, listrado e muitos outros. Um dia era uma camiseta com um balão enorme nas costas, no outro dia havia vários pequenos corações na gola e para entusiasmo dos outros garotos, as calças do uniforme dele começaram a vir cheias de figuras geométricas: triângulos, retângulos e círculos.
Achei o máximo!
Todos os dias, pedia aos meus pais, que me comprassem os uniformes desenhados e eles nunca entenderam de onde eu tirava essas ideias estranhas. Me comprando camisetas de marca, com estampas da moda.
Um dia, enquanto a minha mãe me esperava com o carro estacionado na porta da escola, apresentei o Carlinhos a ela e lhe mostrei o seu uniforme desenhado. Minha mãe olhou atentamente o meu amigo e perguntou se poderia lhe dar uma carona até sua casa, já que ele ia sozinho. O carro não pôde deixar meu amigo na porta de casa, pois o bairro dele era muito reservado e quando ele ia se despedir, minha mãe lhe perguntou:
 - Carlinhos, de onde vêm suas roupas coloridas?
 - Ah, tia, é a minha mãe mesmo que costura esses desenhos nas minhas roupas, quando elas rasgam. Às vezes ela faz uns corações e me diz que toda vez que eu olhar para eles é pra lembrar dela e do seu amor por mim. Quando ela faz bonequinhos, barcos ou carrinhos é porque o pagamento foi pouco e não vai dar pra me dar um brinquedo novo.
Com lágrimas nos olhos, minha mãe disse:
            - E você gosta de suas roupas assim?
            - Oh sim! Gosto muito! Minhas roupas mostram que minha mãe me ama e cuida de mim, porque mesmo eu chegando rasgado e sujo, ela me limpa e tampa os furos que eu deixo.
Falando isso, o meu amigo desceu se despedindo e enquanto o carro se afastava da rua, percebi que minha mãe chorava muito e logo que chegamos em casa, ela me pegou pelos braços, me abraçou e me beijou muito.
Por muitos anos o Carlinhos estudou comigo naquele colégio de pessoas ricas, pois sua mãe trabalhava como empregada na casa do diretor. Por muitos anos ele usou roupas remendadas, coloridas, com corações vermelhos, ou em tecidos de bolinhas e sempre fomos amigos. Ele nunca teve vergonha disso e apesar de todas as dificuldades, hoje o Carlinhos é dono de uma grande empresa. Graças aos esforços daquela mãe tão cuidadosa, que não deixou que pequenos obstáculos distanciassem seu filho de um belíssimo futuro. Minha família também aprendeu muito com aquela família humilde.
Quanto a mim, consegui entender com as lágrimas e os beijos de minha mãe, que nem sempre o dinheiro pode comprar todas as coisas, pois por mais que fôssemos ricos e pudéssemos comprar as melhores camisetas do mercado, jamais poderíamos comprar aquelas camisetas do Carlinhos, pois aquelas eram produzidas com o mais puro amor, que não se compra e nem se vende, só se dá.
Cheguei a chorar ao volante ao lembrar desse fato e passando pela minha antiga escola, mostrei à minha garotinha onde estudei e contei-lhe do meu amigo Carlinhos e suas camisetas de coração. Aproveitei para dizer a ela o quanto a amo e o quanto desejo que ela descubra a forma do amor verdadeiro no carinho e na atenção que lhe damos.