Olá! Meu nome é Jonas e tenho trinta e três anos. Sei que este é o momento de contar histórias de crianças arteiras, de fantasias e aventuras especiais, mas o que me ocorreu hoje à tarde com a minha filha de 5 anos me fez voltar a ser criança e me lembrou de como foi que eu descobri qual é a forma do amor:
Tudo começou quando fui buscar minha filha Jacqueline, na escola. Ela ainda estava se acomodando no banco de trás do carro e enquanto passava o cinto de segurança me disse assim:
- Pai, você pode me comprar uma camiseta de coração igual a da Ana Caroline, da minha sala?
- E o que há de errado com as suas camisetas, Jack?
- Bem, todos os dias ela vem com uma camiseta de desenhos tão bonitos...
- Vamos ver com a mamãe depois, ok?
- Ok....
Naquele instante aquela conversa me transportou em pensamento para os meus 5 anos, quando eu estava no Jardim de Infância. Lá eu possuía muitos amigos com quem aprontava todas as peripécias que uma criança de 5 anos pode cometer. Foi lá também onde conheci o garoto mais rico do colégio, seu nome era Carlos Henrique e ele se tornou o meu maior amigo. Todos os dias, o Carlinhos chegava com uma camiseta nova. E eram as camisetas do uniforme escolar, mas as dele tinham desenhos muito bonitos e coloridos, feitos em tecido xadrez, listrado e muitos outros. Um dia era uma camiseta com um balão enorme nas costas, no outro dia havia vários pequenos corações na gola e para entusiasmo dos outros garotos, as calças do uniforme dele começaram a vir cheias de figuras geométricas: triângulos, retângulos e círculos.
Achei o máximo!
Todos os dias, pedia aos meus pais, que me comprassem os uniformes desenhados e eles nunca entenderam de onde eu tirava essas ideias estranhas. Me comprando camisetas de marca, com estampas da moda.
Um dia, enquanto a minha mãe me esperava com o carro estacionado na porta da escola, apresentei o Carlinhos a ela e lhe mostrei o seu uniforme desenhado. Minha mãe olhou atentamente o meu amigo e perguntou se poderia lhe dar uma carona até sua casa, já que ele ia sozinho. O carro não pôde deixar meu amigo na porta de casa, pois o bairro dele era muito reservado e quando ele ia se despedir, minha mãe lhe perguntou:
- Carlinhos, de onde vêm suas roupas coloridas?
- Ah, tia, é a minha mãe mesmo que costura esses desenhos nas minhas roupas, quando elas rasgam. Às vezes ela faz uns corações e me diz que toda vez que eu olhar para eles é pra lembrar dela e do seu amor por mim. Quando ela faz bonequinhos, barcos ou carrinhos é porque o pagamento foi pouco e não vai dar pra me dar um brinquedo novo.
Com lágrimas nos olhos, minha mãe disse:
- E você gosta de suas roupas assim?
- Oh sim! Gosto muito! Minhas roupas mostram que minha mãe me ama e cuida de mim, porque mesmo eu chegando rasgado e sujo, ela me limpa e tampa os furos que eu deixo.
Falando isso, o meu amigo desceu se despedindo e enquanto o carro se afastava da rua, percebi que minha mãe chorava muito e logo que chegamos em casa, ela me pegou pelos braços, me abraçou e me beijou muito.
Por muitos anos o Carlinhos estudou comigo naquele colégio de pessoas ricas, pois sua mãe trabalhava como empregada na casa do diretor. Por muitos anos ele usou roupas remendadas, coloridas, com corações vermelhos, ou em tecidos de bolinhas e sempre fomos amigos. Ele nunca teve vergonha disso e apesar de todas as dificuldades, hoje o Carlinhos é dono de uma grande empresa. Graças aos esforços daquela mãe tão cuidadosa, que não deixou que pequenos obstáculos distanciassem seu filho de um belíssimo futuro. Minha família também aprendeu muito com aquela família humilde.
Quanto a mim, consegui entender com as lágrimas e os beijos de minha mãe, que nem sempre o dinheiro pode comprar todas as coisas, pois por mais que fôssemos ricos e pudéssemos comprar as melhores camisetas do mercado, jamais poderíamos comprar aquelas camisetas do Carlinhos, pois aquelas eram produzidas com o mais puro amor, que não se compra e nem se vende, só se dá.
Cheguei a chorar ao volante ao lembrar desse fato e passando pela minha antiga escola, mostrei à minha garotinha onde estudei e contei-lhe do meu amigo Carlinhos e suas camisetas de coração. Aproveitei para dizer a ela o quanto a amo e o quanto desejo que ela descubra a forma do amor verdadeiro no carinho e na atenção que lhe damos.


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